24.02.2009

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No meio daquela multidão, não sabe se está perdida ou se se encontra...

Está ali, apenas. Não sozinha, nunca sozinha!...com alguém que considera amigo, alguém que não se esquece dela, da sua presença. Não se importa de ali estar, gosta de sair com amigos mesmo que nem sempre para locais onde está à vontade. Afinal, o que é que isso importa? Só sai com quem confia, com quem quer a sua companhia...isso basta-lhe.

Aprendeu a exigir pouco. Assim é mais fácil divertir-se e sorrir...não importa o ritmo ou a música, aproveita o momento e a companhia, porque para ela isso é o mais importante. Preocupa-se em sorrir, mas preocupa-se mais se o sorriso não estiver no rosto de quem a acompanha. Quanto a ela, habituou-se a ser invisivel para os que a rodeiam e não a conhecem. Sabe que não a vêem mesmo que lhes olhe nos olhos. Nem o amigo do amigo ou o conhecido do conhecido que lhe são apresentados a vêem... Passa despercebida e só nela repara quem já a conhece. Não dali, da noite. Nunca da noite. Porque ali ninguém a conhece, é invisivel naquele mundo.

loneliness.jpgNão se importa! Tem plena consciência de que assim é e sabe que isso não vai mudar. Sempre foi assim. Talvez nem queira que mude, não saberia como agir...Seria demasiado estranho que, de repente, a notassem, se tornasse visivel para os estranhos que olham, passam, encalham, esbarram...

É timida sem que ninguém saiba. Talvez apenas pensem que é totó, certinha ou outro rótulo qualquer. Tanto faz. Tornou-se calma e isso ajuda-a mesmo quando a sua companhia não está ali para a salvar nos momentos em se perde numa realidade que não é a sua.

...A noite passa... os olhares tornam-se brilhantes e as vozes torcidas. Mas os dela não, mais uma vez nada daquilo tem a ver consigo... Mas isso tambem já não a incomoda, também aprendeu a não se importar com a decisão dos outros, desde que isso não interfira com ela.

Cada um é livre... Ela também o é, por isso está ali, num ambiente onde não se encaixa e onde facilmente passa despercebida. Não percebe porque não a vêem. Não se importa realmente, mas não percebe. Não é linda, é verdade. Nem feia. É apenas natural, porque não há normas que definem o "normal" que costuma utilizar para se definir. Talvez esse seja o segredo da sua invisibilidade. A sua normalidade...é apenas mais um na multidão. Talvez ali tenha que se chamar a atenção de outra forma... ela não sabe qual, mas não faz mal, porque isso ela nunca fará. Não se dá bem como centro de atenções, as faces envermelhecem e o controle que exerce sobre a sua timidez desvanecesse...

Quando já não se encontra, despede-se,vai para casa...no dia seguinte, quando se olhar distraidamente ao espelho, será ela novamente...