30.06.2008

Partilhar momentos

Pensamento do dia:

"O amor não se manifesta através do desejo de fazer amor...mas através d desejo de partilhar o sono." Milan Kundera 

 

Momento X:

Praia ao fim da tarde, com dois amigos, bons amigos... Momento calmo, porque para agitados bastam as noites e os pensamentos.

Ler p'ra saborear:

"Procura o que tens em ti mesmo sabendo que nunca vais chegar a saber tudo. É um pecado grande não aproveitar o dom ou o talento, por mais ténues, que nos foram concedidos. Sê quem és. É uma ordem antiga.
Repara, acontece não reconhecermos o criado que nos serve à mesa se o encontrarmos de fato escuro no salão de um teatro. Porque uma pessoa é e faz-se. (...) Não vale a pena tentar conhecer todos. Para já é impossivel, nem que tivéssemos todo o possivel à nossa frente. E depois não servia de nada. Aumenta a angústia. Cada um não é um, são muitos.Fica diferente conforme o ligar onde está, com quem fala, a idade que o transforma. Pelo corpo não se sabe reconhecer um monstro, um assassino ou um anjo. Não julgues ninguém pelo aspecto, Simão, isso to digo, porque te enganas." -
«Casa comigo em Agosto», in Os corações também se gastam

29.06.2008

Coração de Pedra

Pensamento do dia:

Tão pensativa hoje...o que tanto pensas tu que nem te apercebes? Tens medo? O que te preocupa?... 

 

Momento X:

- Então já namoras? - pergunta um amigo

- Não! Com quem querias que namorasse? - respondo

- Não sei! Tu é que sabes!... Mas podia ser que já tivesses alguém. - continua ele

- Não me importava, mas não. O meu coração transformou-se em pedra.

 Há coisas que dizemos sem pensar, mas depois fazem-nos ficar a pensar.

 

Ler p'ra saborear:

"O medo faz-nos companhia. Só gosto do que é perigoso. Só o sofrimento nos faz crescer. Só um sofrimento maior pode vencer outro. Quando a alma dói, é preciso urgentemente encontrar outra que nos faça ser ainda mais. Para depois voltar à superficie das coisas, ao desequilibrado perigo da contradição. Simão, isto é a minha religião, só minha, não sei de onde vem, da vida certamente. Ou então ficção minha. Já me aconteceu curar um desgosto através de um desgosto maior, para depois poder voltar a amar. A existência não é um jogo, é uma estratégia.
O medo é o que nos faz persistir. Já pensaste o que seria se não houvesse a falta, a ausência, que nos faz persistir em procurar?Seria o tédio avassalador a tomar conta de nós. A falta não é uma insuficiência, um defeito a que estaríamos condenados, ao qual nós próprios nos condenássemos. A falta é o que nos faz continuar. E o mas importante é aprender. Não saber e querer saber. É a minha contradição, o que completa o meu destino.
E o que faz falta. Sofia? Antes de mais o amor. O que nos faz mais falta não é isto nem aquilo que sabemos o que é. O que faz falta é o amor que não se sabe. Estranha é a nossa condição, a vida que nos acompanha e que, de repente, nos deixa. Nem no fim saberemos o que fomos. O principio é traiçoeiro. O fim jamais acontecerá.
E quanto mais amamos menos sabemos da palavra amor, o que faz falta. Sentimos o que faz falta, o que é outra coisa. No amor tudo nos faz falta. Tentar dizer o que é o amor, a ausência de nós, é como tentar dizer a um que não vê, qual é a cor do mar. Insistimos em saber. Devíamos desistir. Sabe-se lá o amor. E sem ele nada há. Tudo preenche, tudo ocupa, os lugares mais secretos, onde já nada esperávamos encontra. Sim, sobretudo aí. É urgente aprender a sentir a falta que nos faz.

E o sexo, Sofia? O sexo é caos, o abismo para onde nos atiramos agarrados por cordas apertadas que não queremos desatar. Em principio nada tem a ver com o amor. As próprias bocas requerem uma ternura, uma intimidade, que o sexo pode dispensar. O sexo pode ser o inverso do amor. Qualquer coisa que nos faça esquecer, matar. No sexo sabemos o que queremos, tem um principio e tem um fim. É a maneira mais simples que temos de vencer o tempo, esse que nunca se cansa. Os corpos sim, ficam a suar. O sexo mete respeito, assusta. No amor não há principio nem fim, nem nada que procurar. ~´e na ausência que encontramos o que está mais presente, o que falta." - «Casa comigo em Agosto» in Os corações também se gastam

28.06.2008

O silêncio entre as palavras

Pensamento do dia:

Às vezes não sei onde pertenço!




Momento X:

Festival Med...:P Estar com amigos, um bocadinho com uns, outros com outros e ainda outro com outros. O cansaço baixou-me o astral, mas soube bem na mesma. E há tanto tempo que não me deitava com o dia a raiar lá fora!



Ler p'ra saborear:

"Tu disseste, mais tarde ou mais cedo deixaremos de falar com as palavras e os gestos. Neste mistério que somos parecerão inúteis. É para ai que vamos. E eu disse, as palavras sequestram tudo o que apanham, são ciumentas, irrompem por debaixo onde habita o silêncio que as sustém. É para ai que vamos.
(...)Ficaram só as palavras em frases incompletas, fragmentos de vozes alteradas, atadas umas às outras e depois largadas.
A verdade era o silêncio, o que fica entre as palavras
. Talvez fosse isso que quiséssemos.
(...)
O que importa é o imprevisível, disseste tu, Sofia. O que importa é a probabilidade do que pode acontecer e acontece sem aviso. O previsivel aborrece mortalmente. Sem nada acontecer não se percebe nada. Mas o que acontece não se deixa ver pelo simples movimento dos corpos. É sempre preciso uma história.
Os corpos enganam muito. Só servem para enganar, dissemos ao mesmo tempo e rimos. (...)" -
«Casa comigo em Agosto» in Os corações também se gastam

27.06.2008

Pedaço de vida

Pensamento do dia:

Sabe bem, por vezes, sentir aquilo que não somos...
Não sou bonita (nem necessariamente feia), e às vezes, só às vezes, sonho ser bela, longe da minha medida. Discreta, sempre discreta, mas linda, nem que seja ao meu olhar e sentir-me assim...apenas linda.

 

Momento X:

Jantar de turma...o último!
Fomos poucos, mas
correu bem.
E agora? Quando nos voltaremos a ver? A maioria não será assim tão cedo... 

 

Ler p'ra saborear:

"A ideia era simples. Roubar ao mundo um pedaço de vida. Fixá-lo para sempre com palavras. Agarrar com os dedos os sons alados, fazer deles traços escritos. Fazer do tempo marcado um livro, um objecto eleito, já que as palavras são de eleitas, aproximando-nos dos deuses preguiçosos que nos olham lá do alto e riem de nós, da falha humana a que estamos condenados." - «Casa comigo em Agosto», in Os corações também se gastam

26.06.2008

Gelado não é o coração

 

Ice Cream Cone with Many Colored Scoops Photographic Print by Shaffer-SmithPensamento do dia:

Malditos pesadelos que me fazem lembrar o que há muito quero esquecer...E já tinha conseguido...não tinha?!

Momento X:

Ouvir , sair e estar com amigos, ao qual se junta:o ritmo da música e o primeiro gelado deste verão!

Ler p'ra pensar:

"(...) as pessoas só veêm o que o coração aguenta" - in Não me contes o fim

25.06.2008

Verdades incolores

Pensamento do dia:

"O que queremos dizer nunca é o que querem ouvir, o que é pena. Muitas vezes, a verdade é distorcida por delicadeza." - in Não me contes o fim

Momento X:

Gosto do Festival Med: ver pessoas, amigos, conhecidos, desconhecidos, pessoas...Muitas, contentes a maioria, a aproveitar o espirito e o calor da noite que se espalha nas ruas antigas desta cidade que adoro. Pessoas que vivem estas ruas e as aproveitam, resuscitando-as da morte dos outros dias em que ninguém se lembrou delas. ´Sinto-me assim, como estas ruas, viva e resuscitada, quando rodeada de tantas pessoas, sorrisos e calor, especialmemnte o humano!=)

 

Ler p'ra pensar: [Neste caso, com sentido de humor=P]

"Não sei se os homens pensam nisso, sempre que uma mulher os excita e a abraçam. Mas, a nós, o fantasma da fecundação não nos dá tréguas. Durante o coito, por mais de uma vez, esse risco temido ou desejado cruza a nossa mente como uma vertigem de medo, fantasia e expiação. E há sempre um momento de consciência, de vigilia, de pânico, em que nos ocorre a frase «É bom, mas tem o preço de uma vida».
O espectro seria o mesmo, nos homens? Ou limitá-lo-iam à eventualidade de um contágio ou de um sarilho? Não, nos homems não pode ser tão grave. Para eles, ser pai é uma emoção, uma responsabilidade e um encargo. Ser mãe é muito diferente. É encher o corpo como um balão até à imobilidade, durante nove meses, e uma dedicação insone para o resto da vida.
Talvez por isso a mestruação tenha uma representação facetada no nosso espírito: uma de alívio, quando aparece para nos despitar uma gravidez; outra de incómodo, quando trava, desfalca ou interdita uma sessão de sexo, sadia e merecida; e outra ainda de melancolia e frustração, quando sublinha exactamente o contrário: a gravidez gorada ou a esterilidade.
tpm
Por outro lado, saberiam eles o que significa falar e sorrir, seduzir ou trabalhar, discutir, cozinhar, comer, dançar ou arredar um móvel jorrando sangue continuamente e ter que proceder como se nada fosse, naturalmente? Viver em permanente hemorragia, com um penso ensopado entre as pernas ou um cilindro espetado na vagina, e ter de mudá-los seis vezes ao dia no lavabo sujo de uma estação de comboios, num bar de praia, num restaurante , num avião, num barco, num acampamento, numa excursão de camioneta ou numa prova desportiva? E tudo isto desde os treze anos, durante quarenta, todos os meses ao longo de cinco dias?" - in Não me contes o fim

24.06.2008

Olhar é diferente de ver

Pensamento do dia:

É fácil estar do lado que nos é mais próximo e esquecer a razão. Também, que tantas vezes tento ser imparcial e ver com clareza, nem sempre o consigo.

 

Momento X:

Uma conversa que não houve... Desisto! Ou melhor, talvez nem seja desistir, mas apenas a constatação de que as coisas nem sempre são como pensamos ou gostariamos!  

 

Ler p'ra pensar:

"A verdade é que ninguém sabia ao certo o que acontecera, mais uma vez, e dei comigo a associar aquela incógnita perturbadora às muitas perplexidades que experimentamos na vida, todos os dias, não tão aparatosas ou avassaladoras como aquela, mas igualmente irresolúvies: o que pensa o outro, porque reage assim, que segredos esconde. Todos os dias adormecemos com a dúvida e acordamos sem a consulação de uma resposta que nos serene o espírito. Andamos na vida a tactear como cegos, agarrados às paredes periclitantes da intuição e à frágil bengala do conhecimento, esbarrando na ambiguidade das coisas e tombando constantemente. A vida é feita de suposições e ganha quem melhor se saiba orientar nas trevas da oncerteza. Na realidade, todo o humano aceita o enigma da vida com relativo desportivismo, apesar de transcender as suas capacidades. Mas não estaria nessa dificuldade, sobretudo, o interesse da vida?
Os misticos procuram o Graal, os cientistas a evidência, os filósofos Deus ou Verdade nas montanhas ou no coração das pessoas; mas são as perguntas e não as respostas que lhes enchem os dias de vida, de energia, de esperança. Existiria alguma explicação, humana, que esgotasse a verdade? E quantas verdades se escondiam numa só? Não seria o infinito, mais do que uma noção cósmica ou abstrata do universo ou da vida, a unica chave possivel? As coisas não têm fim e, muito menos, uma aclaraçãio que possa alguma vez sossegar a curiosidade do homem. A própria curiosidade não tem fim."
- in Não me contes o fim

 

23.06.2008

Amizade, uma espécie de amor

Pensamento do dia:

Mostro a minha amizade na preocupação que tenho para com os outros...Um gesto maternal talvez, mas é a minha forma de dizer que amo. 

 

Momento X:

Ouvir na voz de um amigo palavras simples que mostram o seu amor, sem que para isso seja preciso dizê-lo realmente. Não é ai que reside a magia da amizade?! Já tinha saudades de sentir realmente esse sentimento que une pessoas como se se tratassem de irmãos. =)

 

Ler p'ra pensar:

"Nada a fazer, o amor encerra este paradoxo, este absurdo doentio e insolúvel: podemos querer bem a quem nos quer mal. Ou fazer mal a quem queremos bem. E toda a fraqueza, cobardia, defeito de caracter, miséria íntima, toda a imperfeição em geral ajuda a estreitar o laço entre duas almas, suscitando no outro, ainda mais, a entrega, a compaixão, a afeição, a dedicação." - in Não me contes o fim

22.06.2008

Dia de sentir

 

Pensamento do dia:

"As pessoas vão esquecer o que disseres. Vão esquecer o que fizeres. Mas jamais vão esquecer o que as fizeste sentir!"

 

Momento X:

O sossego do dia...ler, ver tv, fazer o que gosto, sem pressas ou pensamentos...afinal às vezes estes dias também sabem bem (embora eu prefira os outros).

 

Ler p'ra pensar:

"Talvez o pior da vida não sejam os golpes que sofremos, mas a forma como o nosso coração - desprevenido, desarmado - os recebe." - in Não me contes o fim

21.06.2008

Quando nos sabem ler

Pensamento do dia:

Sabe bem falar de nós quando já não cabe cá dentro...Sabe bem ter alguém que nos conhece, que está lá para ouvir, mas que não insiste - exactamente porque me conhece -, apenas espera ou simplesmente, respeita!

 

Momento X:

Um convite banal, de última hora..."podes vir ajudar?"Adoro poder ajudar, por isso lá vou eu e a noite torna-se, afinal, bem melhor do que o que poderia ser.

 

Ler p'ra pensar:

"Foi com eles que aprendi a avaliar os outros do seu ângulo e não apenas do meu. Isto, que parece fácil e trivial, demora-se uma vida inteira a aprender.
Comunicar com pessoas de língua diferente não é o mais dificil. É preciso dominar outro idioma, o da comunicação com as almas, mais cifrado e complexo. Aprender a traduzir o que as pessoas são, ou querem dizer, para além do que fazem, falam ou parecem, exige intuição, cultura e curiosidade, certamente, mas sobretudo atenção. Por muito que seja a língua, as palavras revelam-se sempre insuficientes. E há pessoas ilegiveis, que nos fazem sentir analfabetos."
- in Não me contes o fim

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