29.06.2008
Coração de Pedra
Pensamento do dia:
Tão pensativa hoje...o que tanto pensas tu que nem te apercebes? Tens medo? O que te preocupa?...
Momento X:
- Então já namoras? - pergunta um amigo
- Não! Com quem querias que namorasse? - respondo
- Não sei! Tu é que sabes!... Mas podia ser que já tivesses alguém. - continua ele
- Não me importava, mas não. O meu coração transformou-se em pedra.
Há coisas que dizemos sem pensar, mas depois fazem-nos ficar a pensar.
Ler p'ra saborear:
"O medo faz-nos companhia. Só gosto do que é perigoso. Só o sofrimento nos faz crescer. Só um sofrimento maior pode vencer outro. Quando a alma dói, é preciso urgentemente encontrar outra que nos faça ser ainda mais. Para depois voltar à superficie das coisas, ao desequilibrado perigo da contradição. Simão, isto é a minha religião, só minha, não sei de onde vem, da vida certamente. Ou então ficção minha. Já me aconteceu curar um desgosto através de um desgosto maior, para depois poder voltar a amar. A existência não é um jogo, é uma estratégia.
O medo é o que nos faz persistir. Já pensaste o que seria se não houvesse a falta, a ausência, que nos faz persistir em procurar?Seria o tédio avassalador a tomar conta de nós. A falta não é uma insuficiência, um defeito a que estaríamos condenados, ao qual nós próprios nos condenássemos. A falta é o que nos faz continuar. E o mas importante é aprender. Não saber e querer saber. É a minha contradição, o que completa o meu destino.
E o que faz falta. Sofia? Antes de mais o amor. O que nos faz mais falta não é isto nem aquilo que sabemos o que é. O que faz falta é o amor que não se sabe. Estranha é a nossa condição, a vida que nos acompanha e que, de repente, nos deixa. Nem no fim saberemos o que fomos. O principio é traiçoeiro. O fim jamais acontecerá.
E quanto mais amamos menos sabemos da palavra amor, o que faz falta. Sentimos o que faz falta, o que é outra coisa. No amor tudo nos faz falta. Tentar dizer o que é o amor, a ausência de nós, é como tentar dizer a um que não vê, qual é a cor do mar. Insistimos em saber. Devíamos desistir. Sabe-se lá o amor. E sem ele nada há. Tudo preenche, tudo ocupa, os lugares mais secretos, onde já nada esperávamos encontra. Sim, sobretudo aí. É urgente aprender a sentir a falta que nos faz.
E o sexo, Sofia? O sexo é caos, o abismo para onde nos atiramos agarrados por cordas apertadas que não queremos desatar. Em principio nada tem a ver com o amor. As próprias bocas requerem uma ternura, uma intimidade, que o sexo pode dispensar. O sexo pode ser o inverso do amor. Qualquer coisa que nos faça esquecer, matar. No sexo sabemos o que queremos, tem um principio e tem um fim. É a maneira mais simples que temos de vencer o tempo, esse que nunca se cansa. Os corpos sim, ficam a suar. O sexo mete respeito, assusta. No amor não há principio nem fim, nem nada que procurar. ~´e na ausência que encontramos o que está mais presente, o que falta." - «Casa comigo em Agosto» in Os corações também se gastam
23:15 Permalink | Comentários (0) | Enviar por e-mail
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